Liderar é pôr todos a pensar igual? | Conteúdos Paulo de Vilhena

Falamos muitas vezes da importância de manter toda a equipa alinhada com os mesmos valores e pontos de cultura. Mas será que liderar é pôr os outros a pensar igual a nós?

Começo por vos falar de uma experiência que tive. Há uns anos fui convidado por uma grande empresa portuguesa para dar um curso de coaching de cinco dias a 25 profissionais de topo. A meio do segundo dia, eu tive de fazer um ponto de ordem na sala e dizer aos meus formandos que provavelmente tinham vindo fazer o curso errado. Porque eles achavam que coaching era a minha capacidade de entrar na cabeça deles e pô-los a pensar como eu. Para eles, coaching era portanto uma forma de manipulação. Certamente não é isso que é.

O mesmo pensamento erróneo acontece frequentemente em relação à liderança. Liderar não é pôr os outros a pensar igual a nós. Aliás, nenhum grande líder quer uma equipa de pessoas que pense igual a ele. Que valor é que essas pessoas vão acrescentar se pensarem igual? Serão pessoas que apenas vão seguir o que o líder diz e que não terão a capacidade de dar novas ideias. Perceba “A DIFERENÇA ENTRE UM LÍDER-LÍDER E UM LÍDER-SEGUIDOR“.

Eu, enquanto líder, quero que a minha equipa me diga coisas que eu não sei. Que me faça perguntas que eu não seria capaz de levantar. Que me mostre algo que eu não estou a conseguir ver. Se os meus colaboradores souberem menos que eu em todas as áreas, então eu escolhi mal a minha equipa.

Por exemplo, se eu recrutar um diretor financeiro, eu quero que ele saiba mais que eu de finanças. Até posso saber algumas coisas, mas espero que ele saiba mais do que eu. Isto não quer dizer que eu não discuta com ele, nem que às vezes não tenhamos desacordos. Por vezes, dou-lhe razão no caminho mais apropriado a seguir. Noutras decido que é melhor seguir outro rumo.

É importantíssimo lembrar que as empresas não são democracias. Não funcionam a votos.

Há uma pessoa que têm de assumir a responsabilidade das decisões. Nós, líderes, temos de ter a capacidade de escutar toda a gente, recolher ideias de todo o lado, mas temos de ser nós a tomar a decisão. Às vezes, o líder decide e toda a gente está contra. No entanto, essas pessoas participaram à mesma no processo de decisão. O líder nunca pode abdicar da responsabilidade de tomar a decisão.

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