Na minha perspetiva, a liderança está intimamente ligada ao desenvolvimento pessoal. Isto porque a liderança não deixa de ser a escolha voluntária, consciente ou inconsciente,  que um grupo de outra pessoas fazem quando nos seguem.

A liderança não é uma decisão do líder e sim do seguidor. Ele  escolhe seguir outra pessoa.

E quem é que são as pessoas que tendemos a seguir?

Pessoas que têm padrões mais elevados do que os nossos, que acreditamos que nos leva onde não conseguiríamos chegar sozinhos, pelo menos nessa determinada fase da nossa vida.

O processo de nos tornarmos líderes é, acredito eu, tornarmo-nos alguém atrativos e que os outros escolhem seguir porque, de alguma maneira, têm padrões mais elevados.

Então, isto passa por entendermos melhor o que se passa à nossa volta e a forma como respondemos aos desafios que a vida nos vai trazendo.

Isto leva-nos a uma outra reflexão. A ideia de que não controlamos as coisas que acontecem à nossa volta.

Eu não tenho controlo sobre as estações do ano. Da mesma maneira que temos de aceitar como parte do jogo que há coisas que acontecem na nossa vida e que não facilitam, coisas que não posso controlar.

E grande parte da nossa ansiedade, angústia e frustração vem da nossa revolta em relação às coisas que acontecem e que não queremos aceitar.

Jim Rohn dizia: O inverno chega sempre. Sabemos que há 6000 anos é assim. E chega sempre depois do outono. Sendo que o outono é o tempo da colheita. O inverno chega sempre e na altura em que até ainda estávamos a colher… e pensem no inverno num sentido lato.

É nas alturas em que temos mais dinheiro em que não estamos preparados para que nos falte uma parte desse dinheiro. É sempre quando estamos saudáveis que vem uma doença…

Temos de aprender a aceitar estes eventos como naturais porque o inverno chega sempre. E porque o universo não quer que fiquemos na nossa zona de conforto porque isso não nos permite crescer.

E essa é uma das principais características do refinamento filosófico. Aceitar aquilo que a vida nos dá porque não podemos controlar.

A aceitação é importante

Depois, se quisermos ser  mais refinados espiritualmente…  Acreditar que há um plano maior e que há uma razão para que isso aconteça. A razão é não só a colheita de alguma sementeira que foi feita mas  também é algo que precisamos de aprender. Mais que não seja aceitar.

Haverá eventualmente outras coisas para aprender, numa rutura relacional, numa doença, numa crise financeira ou qualquer outro inverno que não quiséssemos viver.

E todos nós já passámos por estas situações. Todos nós já tivemos menos dinheiro do que gostávamos de ter. Já ficámos doentes quando não queríamos. E todos nós já tivemos momentos de rutura emocional ou relacional que não queríamos e não esperávamos.

Aceitar que tudo isto existe na nossa vida para nos ensinar algo é um aspeto que acredito ser crítico.

Eu também aprendi ao longo do tempo que melhor do que ficar revoltado é ficar fascinado. E dizer: “Uau! É incrível os desígnios que a vida nos dá. É incrível os meios sinuosos com que o universo nos quer trazer algumas aprendizagens.”

É melhor ficar fascinado para daí podermos aprender algo do que ficar revoltado. Obviamente que é muito mais fácil falar do que fazer. A não ser que algus de nós já  tenham atingido a iluminação, o que claramente não é o meu caso… a nossa natureza tem sempre alguma dificuldade em aceitar certas coisas.

Para mim, racionalizar ajuda-me a enfrentar todos estes desafios. Então, se calhar tudo aquilo que a vida nos traz é de alguma maneira uma bênção. Há sempre uma aprendizagem implícita. E eu acredito que até nós aprendermos essa lição vamos continuar a passar pelos mesmos desafios.

Como qualquer pessoa, já tive eventos na  vida que na altura me pareceram terríveis, alguns deles até ameaçadores da minha integridade física, e outros da minha integridade emocional… e outros que seriam destrutivos da vida como eu a imaginava.

Olhando para trás…

Tenho a clara noção de que não seria a pessoa que sou hoje senão tivesse passado por esses desafios.

Tenho claramente a noção de que todas essas experiências fizeram de mim uma pessoa melhor. Mas mais do que isso, houve sempre oportunidades escondidas por trás de cada uma dessas situações.

São desafios que nos deixam mais preparados para o que a vida nos vai trazendo. O princípio da gratidão é um dos desafios mais importantes da vida, a capacidade de nos focarmos nos aspetos positivos.

Abdicar do controlo e não interferir com os factos significa apenas aceitar o que aconteceu. Não significa abdicar da resposta.

Há uma coisa que nós controlamos: a forma como respondemos àquilo que acontece. As escolhas que fazemos sobre a maneira como respondemos, isso é o que vai fazer a diferença.

Então, abdicar do controlo, abdicar da interferência, é salvaguardar o nosso bem-estar.

O que é que isto tem que ver com liderança?

Tudo! Liderar é também lidar com este tipo de desafios no dia a dia, multiplicado pelo número de pessoas que tivermos na nossa equipa. Como líderes não temos de lidar apenas com os nossos desafios, mas com a forma como a equipa lida com os seus .

Liderar não é mais do que refinar a nossa filosofia e as nossas competências para estarmos prontos a escolher a melhor resposta a  cada desafio que nos aparece pela frente.

 

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