Como gerir as emoções na gestão de equipas? | Paulo de Vilhena

Nós, líderes, somos pessoas (óbvio). Temos sentimentos, emoções, problemas e alegrias, dias bons e outros menos bons, como qualquer outro ser humano. Ficamos contentes com os nossos colaboradores e muitas vezes também chateados com o trabalho que não corresponde às nossas expetativas, ou com várias outras situações que podem surgir e incomodar-nos em contexto laboral. Mas é importante termos atenção à maneira como agimos e lidamos com todas estas situações para que não sejamos influenciados, no calor do momento, pelas nossas emoções e para que isso não esvazie a nossa capacidade de liderança.

Por isso a nossa inteligência emocional é fulcral para o bom desempenho das nossas funções de liderança e gestão de equipas. E aqui há duas características internas que eu realço como críticas para que tenha sucesso na gestão das suas emoções enquanto procura encaminhar os seus colaboradores em direção aos objetivos que definiu.

 

1 – Autoconsciência

A capacidade de olharmos para nós e nos conhecermos. Saber quais são os nossos pontos fortes e as nossas limitações. Devemos procurar entender e perceber “se” e “quando” é que as nossas emoções estão de alguma forma a esvaziar a nossa capacidade de envolver os outros, ou de fazer com que eles nos sigam. E esta é uma característica que devemos ter especialmente apurada para depois aprimorarmos a nossa segunda capacidade interna da inteligência emocional.

2 – Autoregulação

A capacidade de condicionarmos os nossos comportamentos. Temos (e aqui não é “devemos”, é temos!) de controlar e refrear os nossos impulsos emocionais e outras características pouco adequadas ou prejudiciais ao trabalho em equipa.

Muitas vezes, oiço líderes dizer “eu sou assim mas toda a gente já sabe que eu sou assim!” Mas se a própria pessoa sabe que é assim, então deve controlar-se, moderar-se. Porque senão estará a criar um álibi para fazer todos os disparates e para ser emocionalmente descontrolado, partindo do princípio que os outros têm de o aturar. Talvez até o aturem mas garanto que não conseguirá os mesmos resultados e envolvimento da sua equipa.

 

Então se entende – ou se tem esse feedback por parte da sua equipa e empresa – que há impulsos emocionais que estão a esvaziar ou diluir a sua capacidade de liderança por favor controle esses impulsos.

Neste ponto é de extrema importância procurar a opinião da sua equipa.

Porque, como seres humanos que somos, nem sempre nos apercebemos do impacto das atitudes que a nós nos parecem naturais ou compreensíveis numa determinada situação.

É importante que cada um de nós compreenda o que é que está a fazer que possa incomodar os outros ou que possa estar a diluir a nossa influência, para a partir daí podermos deixar de o fazer.

Por isso é que eu defendo profundamente as avaliações 360º na minha empresa e naquelas com quem trabalhamos. Este tipo de avaliações permitem-nos ter feedback da equipa sobre a forma como lidamos com eles.

Agora nunca se esqueça de que tem de estar disposto a escutar, aceitar e reconhecer as críticas que lhe forem feitas. Porque se não estiver, então nada disto valerá a pena. Continuará apenas a ser “igual a si próprio”, e isso poderá afetar o seu desempenho enquanto líder.

 

Portanto, a nossa capacidade de lidar com as outras pessoas e de as envolver e aglutinar em torno das nossas ideias e dos nossos projetos depende essencialmente da nossa inteligência emocional.

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notifique-me se