Toma as decisões para a sua empresa baseado nos resultados de curto prazo? Ou dá prioridade à visão de médio/longo prazo?

Numa pré-escola da universidade de Stanford, na década de 1960, o psicólogo Walter Mischel iniciou um estudo com um conjunto de crianças, que depois as acompanhou ao longo das suas vidas académicas.

Cada criança foi fechada numa sala. Colocaram um marshmallow à sua frente e foi-lhes explicado pelo assistente que, se eles não comessem aquele marshmallow, iriam ser recompensados no final com dois marshmallows para comerem. A mensagem foi passada de forma clara e foi garantido que a criança tinha percebido.

Uma em cada três crianças comeu o marshmallow, não recebendo a recompensa final. As restantes crianças foram premiadas no final com dois marshmallows, conforme tinha sido prometido.

Essas crianças foram todas acompanhadas e passados 14 anos foram analisados os seus perfis. Os resultados foram surpreendentes e permitiram concluir que as crianças que tinham resistido à tentação tinham algumas características diferentes, em comparação com as que não tinham aguentado:

  • Eram mais competentes socialmente;
  • Eram mais eficazes no seu dia a dia;
  • Estavam mais bem preparados para enfrentar as frustrações da vida;
  • Eram menos vulneráveis à depressão;
  • Eram mais independentes e tomavam mais iniciativa;
  • Eram mais confiantes, confiáveis e firmes.

Na vida, tal como nas empresas, saber esperar é uma grande qualidade.

Um dos pontos que trabalho muitas vezes com os meus clientes de coaching empresarial é a reputação da empresa. Para ter sucesso no longo prazo é fundamental trabalhar a imagem que a empresa tem no mercado, é muito importante tornarmo-nos uma referência naquilo que fazemos.

Mas quantos empresários estão disponíveis para fazer este investimento de dinheiro e tempo, sem um retorno imediato?

Não é fácil, nada fácil mesmo. Mas a cultura da fé deve ser cultivada na nossa vida e nas nossas empresas. Devemos semear com certeza da probabilidade da colheita. Nada é garantido, mas temos que conhecer o jogo das probabilidades e jogá-lo o melhor que conseguimos.

Eu, quando como um pastel de nata, o peso na balança não muda no final desse dia. Mas se o fizer todos os dias, no médio/longo prazo, as consequências na minha saúde e peso vão ser desastrosas.

Nas empresas é igual.

São as ações que faço todos os dias, são as minhas rotinas, que vão determinar os meus resultados de médio/longo prazo.

Se eu não souber trabalhar para o médio/longo prazo e estiver sempre a pôr o prazer imediato à frente, não vou conseguir ter na minha empresa as características que foram identificadas no estudo de Stanford (confiança, firmeza, resiliência, independência, etc.)

Não vou conseguir criar a reputação e a imagem que fará com que os clientes escolham os meus produtos e serviços. Não vou conseguir criar as condições para ter os melhores profissionais a querer trabalhar na minha empresa. Não vou conseguir criar a confiança para conseguir os melhores parceiros e fornecedores.

Em conclusão, para todas as empresas, é crítico que tenham uma visão de longo prazo e que as rotinas e as prioridades do dia a dia sejam definidas de acordo com esse plano. Por vezes até se pode deixar que o dia de amanhã fique comprometido se acreditarmos conscientemente que é a melhor decisão para o médio/longo prazo da nossa organização.

Mariana Arga e Lima
Business and Executive Coach na Paulo de Vilhena Business Excelerators

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