O salário é para grande parte das pessoas a sua única forma de rendimento. Mas se aspiramos a alcançar a independência financeira, é crucial que assentemos esta ideia: lucros são melhores que salários.

Nós tendemos a preferir os salários por uma questão de segurança. No entanto, eu acredito que essa segurança é puramente ilusória. Como explico no meu livro “O Mapa da Independência Financeira”, há vários motivos que suportam esta ideia.

O tratamento fiscal dos lucros é mais vantajoso

Quanto maior for o nosso salário, mais imposto pagamos sobre ele. Para além disso, os impostos sobre os salários são pagos antes de serem descontados os nossos gastos. Enquanto, os impostos sobre lucros só incidem sobre a diferença entre aquilo que nós gastamos e aquilo que nós geramos. Adicionalmente, a taxa de IRC é de apenas 25%, em Portugal, por comparação a praticamente o dobro da taxa de IRS que incide sobre os salários.

A capacidade de multiplicação dos lucros é muito maior

Os lucros não têm limites, enquanto os limites num salário se atingem demasiado depressa. O limite dos salários está relacionado com o limite imposto pelas nossas horas de trabalho. Podemos trabalhar um maior número de horas, no entanto, tal como o nosso dia, as nossas horas de trabalho têm um limite.

O valor da hora de trabalho é mais facilmente alavancado

Podemos até aumentar o valor da nossa hora de trabalho, diversificando ou aprofundando as nossas competências. Todavia, por muito invulgares e especializadas que sejam, essas competências apenas se podem exercer no espaço restrito das nossas 24 horas.

Por outro lado, para multiplicar lucros basta ter uma ideia ou uma boa oportunidade. Podemos multiplicar os lucros por dois ou por três ou por 10 ou até mesmo por 100. Uma ideia pode ter um poder ilimitado no crescimento dos nossos lucros.

Infelizmente os nossos salários não se multiplicam com a mesma facilidade. Adicionalmente, a perceção do valor que acrescentamos à nossa hora de trabalho é morosa, levando tempo a ser reconhecida. Podemos levar anos até conseguir dobrar o salário. Podemos até levar uma vida inteira e não conseguir fazê-lo.

Portanto, se conseguir de alguma forma criar o seu padrão de proveito em torno de lucros, escolha-os em detrimento dos salários. Porque, na realidade, a nossa maior segurança é a capacidade de sermos tão bons que há sempre quem contrate o nosso trabalho, reconhecendo o valor que pomos na nossa hora de trabalho.

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