Integridade não situacional | Conteúdos Paulo de Vilhena

Más remunerações, fracas condições de trabalho, desmotivação e descontentamento perante a função, poucas perspetivas… podem ser muitos os motivos que nos levem a pensar que não vale a pena esforçarmo-nos por determinado trabalho. Mas espero que no final deste artigo veja as coisas de outra forma, quando perceber – tal como eu percebi – a importância (e o poder) da integridade não situacional.

Em 2009, fui à Austrália dar uma palestra e conheci um empresário australiano chamado John McGrath. Era o maior mediador imobiliário da Austrália. E no ano anterior, em plena crise do mercado australiano, tinha tido um volume de negócios de 3, 5 mil milhões de dólares.

Fomos almoçar juntos e ele contou-me a sua história de vida.

Contou-me que ele e o ator Russell Crowe foram melhores amigos durante a infância e juventude. Além de andarem frequentemente metidos em problemas, eram alunos francamente abaixo da média e aos 16/17 anos desistiram de estudar.

Cmo 18 anos, Russel decidiu imigrar para Hollywood para se tornar o melhor ator do mundo. E John ficou na Austrália com o sonho de ser o melhor jogador de futebol australiano do mundo. No entanto, perto dos 20 anos, uma lesão afastou-o desse seu sonho. Nessa altura, percebeu que tinha de dar um rumo à sua vida.

Tinha tido notas francamente más nos exames de acesso à universidade. Posto isso, conseguiu apenas arranjar um emprego como assistente de vendedor de automóveis, a lavar carros. Mas aí entendeu que se a vida lhe estava a dar a oportunidade de lavar carros era a lavar carros que ia ser o melhor do mundo. E todos os dias saía de casa a pensar como é que o melhor do mundo faria aquele trabalho.

Pouco tempo depois tornou-se vendedor de carros. E pensou que a vida, em menos de um mês, lhe estava a dar uma nova oportunidade, e melhor que a anterior. Então passou a analisar o trabalho dos colegas seniores, a comprar cassetes para aprender técnicas de venda… e todos os dias saía de casa a pensar como o melhor do mundo faria aquele trabalho.

Progrediu mais tarde para líder da equipa de vendas e a história repetiu-se. Tempos depois entrou no negócio de aluguer de automóveis e por fim no mercado imobiliário.

Quer o seu salário estivesse diretamente ligado à sua produtividade quer não, em todas as suas experiências de vendas, John bateu todos os recordes.

 

Na altura em que falámos, tinham passado 30 anos desde que tinha entrado no mercado imobiliário e, com 3, 5 mil milhões de dólares em volume de vendas, disse-me:

Não sei se sou o melhor do mundo e francamente isso também não interessa. Sei que sou o melhor profissional que sou capaz de ser. Sabes porquê? Porque passaram 30 anos, e ainda hoje saio de casa a pensar como é que o melhor do mundo faria esta atividade.

Ele chamou a isso integridade não situacional.

E o que é a integridade não situacional? É darmos o nosso melhor absoluto independentemente da situação. É sermos a melhor pessoa que formos capazes de ser. E o melhor profissional que formos capazes de ser. É temos a responsabilidade de não dar menos do que o nosso melhor em tudo aquilo que fazemos.

 

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