Inovação: o efeito Disneyland | Conteúdos Paulo de Vilhena

No outro dia, vi na internet uma entrevista a Roberta Matuson, autora de vários livros na área de liderança como The Magnetic Leader. Partilho convosco um exemplo muito interessante que ela deu, que nos permite refletir sobre a importância da inovação. Penso ser relevante para todas as pessoas, em particular para aquelas que tomam decisões em empresas.

Pensem na Disneyland ou outro parque temático semelhante. Quando entramos no parque temos normalmente dois corredores à frente: um pela direita e outro pela esquerda. Está provado estatisticamente que a grande maioria das pessoas segue pelo corredor da direita. Nós, mesmo que não tenhamos inclinação para escolher a direita, entrando num sítio que desconhecemos, seguimos instintivamente e, por isso, lá vamos pelo caminho da direita.

Se já foram a um parque deste género, sabem que todas as atrações têm filas intermináveis, que temos de estar muitas vezes mais de uma hora para conseguir andar na montanha russa de que mais gostamos. E nós seguimos sempre a multidão. Aliás, quando passamos em algum divertimento que não tem fila imediatamente pensamos: “Este não deve ser bom, não tem ninguém…” A probabilidade de seguirmos em frente, sem lhe darmos atenção, é grande.

Agora imaginem que entram num parque temático e seguem pelo caminho que os outros não estão a seguir. Que começam logo pelo corredor da esquerda. Pois é, vão ter oportunidade de passar em todos os divertimentos também, de usufruir das mesmas possibilidades mas num horário diferente da multidão. Enquanto vocês estão nos divertimentos do lado esquerdo, a maioria das pessoas estará nas filas do lado direito. Ao seguirem uma alternativa diferente diminuem substancialmente os tempos de espera, aumentando a rentabilidade do tempo.

E na vida em geral, será que agirmos sempre como carneirinhos é a melhor opção? Irmos atrás dos outros, sem pensar, é a melhor alternativa?

Esta é uma resposta muito difícil pois, na maior parte dos casos, a roda já foi realmente inventada. E o facto de perdermos tempo a tentar reinventá-la, cada vez que a vamos utilizar, não nos trará bons resultados. Porque nos faz perder tempo desnecessariamente. Faz-nos perder energia e foco para aquilo que é mais importante.

Quando vemos uma multidão a correr, e percebemos que está a fugir de algo, o melhor é corrermos primeiro e perguntarmos depois o que está a acontecer, não vá ser alguma situação que nos possa realmente pôr em perigo. Isso pode mesmo salvar-nos a vida.

No entanto, e conforme o exemplo do parque temático nos ilustra, às vezes tentarmos fazer diferente também nos poderá trazer bons resultados. Encontrar os momentos certos para agir de forma diferente não é simples. Mas a vida de um gestor ou de um líder não é fácil. Se fosse fácil gerir empresas, não havia razão para termos uma taxa de insucesso tão elevada.

Para mim é claro que, no mundo dos negócios, não podemos ser apenas iguais aos outros.

Temos que encontrar o que os outros fazem muito bem e fazer, pelo menos igual, e encontrar onde podemos fazer melhor (em pontos que os clientes realmente valorizam) e batalhar para sermos os melhores nesses pontos-chave.

Hoje olho para as indústrias mais competitivas do nosso país, em alguns casos até do mundo, e vê-se muitas empresas a copiarem-se umas às outras, tanto a nível de produtos, como de comunicação e preço.

Eu compreendo que é uma forma fácil e que minimiza os riscos. Mas, na minha opinião, se eu tenho confiança nas minhas capacidades de ir mais além, eu tenho que assumir o risco. Mas não é preciso pôr em causa a sustentabilidade da empresa quando se corre esses riscos!

Acima de tudo têm que estar preparados para, em qualquer altura, não tomar as decisões só porque os outros as estão a tomar. Têm que ser críticos, pensar pelas vossas cabeças e assumir que as escolhas são vossas.

Porque todas as escolhas têm consequências. O mais importante é tomarmos as escolhas em consciência para conseguirmos perceber as vantagens e as desvantagens de cada alternativa, e antevermos os potenciais desafios para nos prepararmos melhor para de eles chegarem.

Assumir uma escolha diferente é um ato de coragem. Mas se resultar também nos dá a oportunidade de encontrar um nicho em que estamos sozinhos, em que não temos fila para entrar. E esse pode ser o fator disruptivo que nos permite sair dos crescimentos incrementais e entrar nos crescimentos exponenciais.

Andarmos onde os outros andam obriga-nos a estar duplamente ativos. Se encontrarmos o nosso oceano azul, podemos respirar fundo e tirar máximo partido disso (pelo menos enquanto os outros não nos imitarem).

Claro que é importante, mesmo quando encontramos a nossa diferenciação, mantermos os nossos níveis de atenção. Pois é fundamental mantermos a nossa vantagem de termos sido os primeiros. Ou seja, não podemos adormecer e deixar que os outros nos apanhem e, muito menos, nos ultrapassem.

A conclusão que gostaria de vos deixar hoje é que pensem sempre pelas vossas cabeças. Que não entrem no efeito carneirinho, só porque sim. Pensem sempre, avaliem todas as alternativas e tirem as vossas conclusões de forma consciente.

Mariana Arga e Lima
Business and Executive Coach na Paulo de Vilhena Business Excelerators

 

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notifique-me se