Muito se fala atualmente de sucesso e de como é importante alcançá-lo. Ao longo dos últimos anos tenho lido muito sobre este assunto e o que não falta são boas ideias sobre como conseguir chegar ao sucesso. Saber o que quer, visualizar o que sonha, ter os objetivos escritos e olhar para eles todos os dias ou sentir o prazer das conquistas mesmo antes de as atingir são alguns exemplos.

No entanto, na minha opinião, embora todos estes fatores sejam realmente importantes, há um que faz uma enorme diferença.

E é talvez o mais difícil de conseguir: a capacidade de levarmos as coisas até ao fim e de não desistirmos perante os obstáculos, de nos mantermos na luta mesmo quando a motivação começa a faltar, de aguentarmos e nos mantermos de pé mesmo quando o caminho começa a ser doloroso.

É preciso superar a dor e seguir!

Na minha vida pessoal tenho contacto com vários atletas de alta competição e, sem sombra de dúvidas, aquilo que faz a diferença entre um atleta mediano e um atleta de topo é a sua mentalidade. A capacidade de dar tudo, de estar sempre focado no objetivo, de lutar contra si próprio e de aguentar treino após treino, sem nunca desistir.

Para os atletas de alta competição, o esforço físico é muito elevado. Têm treinos de grande intensidade diariamente. E há dias em que, quando acordam, os músculos doem, estão cansados. Há uns que lutam contra esta dor e mantêm o nível de performance. Mas há outros que desistem ou treinam mais devagar.

Imaginem que estão rodeados por um elástico. Aos poucos vão forçando o elástico e ele vai-se alargando. Mas à medida que vão fazendo força para o alargar, ele vai também fazendo mais força contrária. E à medida que esticam o elástico vai custando cada vez mais ganhar um centímetro que seja. Conseguem um pouco mais e começa a parecer impossível ganhar ao elástico. E é neste momento que a maioria das pessoas resolve desistir. Mas pensem comigo: forçar ainda mais o elástico, principalmente quando ele está a fazer muita força contrária, é a única forma de nos libertarmos. Um pequeno esforço extra, quando está mesmo a ser muito difícil, poderá significar a quebra do elástico e a nossa libertação total.

Ora, um atleta de alta competição tem mesmo de aprender a viver com dores musculares e com o cansaço. É nestes momentos que eles crescem e melhoram a sua performance. É assim que o seu corpo se desenvolve e se torna ainda mais forte. E a sua mentalidade tem que acompanhar este crescimento.

Também para nós, na nossa vida pessoal e profissional, é fundamental mantermos esta persistência e resistência à dor.

Traçarmos os nossos objetivos e não desistirmos quando as coisas parecem estar a tornar-se mais difíceis é a única forma de vencermos.

Levar os projetos até ao fim é sempre um desafio. Há muitas dificuldades que não conseguimos antecipar mas, na minha opinião, desistir porque é difícil não deve ser uma opção. Até porque, na maior parte dos casos, quando desistimos de um projeto acabamos por ir para outro.

Já lhe aconteceu estar na fila do supermercado, mudar de caixa e ficar aborrecido porque afinal a fila onde estava acabou por andar mais depressa?

Pois é, acontece o mesmo quando saltamos de projeto para projeto. Voltamos sempre ao início. As dificuldades vão sempre aparecer e se, em nenhum dos casos, estivermos disponíveis para ultrapassar os obstáculos, é pouco provável que consigamos vingar na nossa vida profissional.

Então nunca devemos desistir?

Claro que há projetos que podemos ter de abandonar, mas não porque são difíceis. Na minha visão, o que determina se devemos manter ou não um projeto é se ele ainda faz sentido, é olhar para o resultado pretendido e perceber se ainda o procuramos. Se acreditarmos que o resultado final ainda vale a pena, então devemos ter a força, persistência e resiliência para levar o projeto até ao fim.

Não desistir é a regra de ouro! Pelo menos enquanto o resultado pretendido fizer sentido para nós!

Mariana Arga e Lima
Business and Executive Coach na Paulo de Vilhena Business Excelerators

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