Ricos, o que os distingue da classe média? - Conteúdos Paulo de Vilhena

Muitas pessoas não entendem bem a diferença entre o comportamento das pessoas que acumulam grandes quantidades  de riqueza e aquelas que, até ganhando bastante dinheiro, não conseguem esse mesmo tipo de acumulação.

Esse é um dos assuntos de que falo no meu livro O Mapa da Independência Financeira e é crítico que entendamos a diferença.

As pessoas que acumulam grandes quantidades de dinheiro entendem o dinheiro de uma forma diferente.

Jogam o jogo do dinheiro com princípios diferentes e quase que com regras diferentes.

Então, é essa maneira de pensar que lhes permite tomar decisões e fazer escolhas diferentes em relação ao dinheiro que faz a diferença entre aqueles que acumulam mais dinheiro dos que não conseguem acumulá-lo.

O que faz o que tradicionalmente classificamos de “pobre” em relação ao dinheiro? 

O pobre ganha dinheiro com o seu esforço, com o seu trabalho. O que faz com o seu dinheiro é gastá-lo imediatamente nas despesas que são correntes, da sua casa e da sua família. Paga uma renda de casa, não um empréstimo à habitação porque ninguém lhe empresta dinheiro… Paga comida, roupa, despesas associadas à casa, talvez algumas despesas associadas a um automóvel antigo em quarta ou quinta mão, mas que obriga a gasóleo, manutenção, oficina, etc. Despesas de saúde, educação e outras.

O pobre ganha dinheiro com o seu esforço e gasta tudo aquilo que ganha. No final não lhe sobra nada.

 

A classe média tem uma pequena desvantagem face aos pobres. Eu sei que aquilo que estou a dizer é provocador… mas qual é a desvantagem? À classe média há quem empreste dinheiro. 

A classe média normalmente ganha também com o seu esforço, com o esforço do seu trabalho… Esse dinheiro serve essencialmente para pagar uma série de dívidas que foram contraídas para antecipar algum consumo.

Então há uma parte do salário da classe média que fica imediatamente alocado ao empréstimo à habitação. Outra parte para pagar o empréstimo automóvel…

E a maioria das famílias da classe média tem dois automóveis, portanto, há um segundo empréstimo automóvel…

Normalmente, há um cartão de crédito que tem de ser pago, um crédito ao consumo que foi associado ou ao recheio da casa ou a algumas férias passadas, e uma ou outra dívida que foram contraídas. 

O grande desafio da classe média é que uma porção importante dos seus ganhos servem para pagar despesas do passado.

Eu chamo a isto gastar o dinheiro no passado. Coisas que consumimos antes de poder pagar, e que acabam por esvaziar uma parte importante do nosso retorno.

Ou seja, o dinheiro vem do nosso esforço, para pagar as nossa dívidas, e desaparece. Ao longo do tempo, as dívidas tendem a acumular-se e a aumentar de dimensão e os juros que pagamos sobre essa dívida acabam por ser um grande aspirador do esforço do nosso trabalho.

O que é que o ricos fazem?

Independentemente de como ganharem o dinheiro, os ricos tratam-no de uma forma diferente. Criam várias fontes de rendimento, que se ligam não apenas ao seu esforço mas também a uma série de ativos  que adquirem.

Regra geral, os ricos tendem a ter atividade empresarial porque é fiscalmente mais atrativa. E também porque é mais fácil multiplicar os lucros do que multiplicar um salário.

Uma boa ideia multiplica o meu lucro como empresário e posso levar uma vida inteira e não aumentar o meu retorno como trabalhador por conta de outrem …

E, acima de tudo, as pessoas que acumulam uma grande quantidade de riqueza não gastam o dinheiro no passado e sim no futuro.

Ou seja, usam o dinheiro que ganham, vindo ele de que fonte vier, na compra de um ativo que depois gera mais dinheiro.

Os ricos compram casas que lhes geram rendas. Ações que lhes geram dividendos. Fazem depósitos que geram juros. Compram obrigações que pagam cupões, etc.

 

Se usarmos o resultado do nosso esforço para comprar um ativo, que depois gera mais retorno, criamos um círculo virtuoso de criação de riqueza. E nunca mais pára de fazer crescer o nosso património.

No que toca ao consumo, a regra é consumir o retorno do nosso investimento e não o retorno do nosso esforço.

A diferença não é tanto o que se ganha, é mais aquilo que se faz com aquilo que se ganha.

Ao jogar o jogo com regras diferentes conseguimos resultados radicalmente diferentes.

 

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