Cultura: nem sempre somos a peça que falta no puzzle | Paulo de Vilhena

A cultura empresarial reflete os valores mais importantes dos líderes da empresa, os comportamentos que são aceitáveis e que devem ser mantidos como inegociáveis.

Ora, quando entramos numa empresa que já está a laborar temos de nos saber adaptar à cultura já definida. Devemos por isso perceber se nos enquadramos nos valores e nos pontos de cultura, pois, por mais que acreditemos que os nossos são melhores, não os vamos conseguir impor.

 

Hoje quando os meus clientes de coaching empresarial me fazem questões sobre recrutamento, tenho esta lição muito presente. Aconselho sempre a procurar pessoas com os valores alinhados com aquilo que é a cultura da empresa.

As questões técnicas alinham-se depois, os conhecimentos adquirem-se, mas os valores não se mudam e se entrarem em conflito nunca vamos conseguir resolver.

Quando fazemos uma entrevista de recrutamento devemos ter muito claro quais os valores vividos internamente. E depois devemos focar-nos essencialmente em perceber se os valores da pessoa estão enquadrados naquilo que a empresa vive diariamente.

 

Numa empresa onde trabalhei no passado, entrei com a melhor intenção possível. Adorava o que fazia, dava o meu melhor todos os dias e tinha imensas ideias para fazer diferente. Na minha ótica todas essas ideias eram para melhorar processos, aumentar a performance das equipas e maximizar os resultados da empresa. Mas quando comecei a tentar impor a minha forma de trabalhar e de pensar os anticorpos não tardaram a aparecer.

Ainda permaneci alguns anos nessa empresa, mantendo a esperança de que conseguiria mostrar a minha visão e alterar aos poucos aquilo que me parecia profundamente errado. Mas passado uns anos a verdade tornou-se muito óbvia para mim. Sentia-me a lutar contra uma força oculta, mas que na verdade era apenas outra forma de pensar. Ou seja, eu não fazia parte daquele puzzle, era uma peça que não encaixava.

Com o tempo percebi que não havia nada de errado com a maneira deles pensarem. Era apenas uma forma diferente da minha.

Aliás, o que é certo ou errado? Quem sabe… não há certos ou errados no mundo dos negócios.

Há apenas soluções que hoje correm melhor ou pior. Há coisas que hoje são verdade mas que amanhã podem ser mentira. Há decisões que nos aproximam dos objetivos traçados e outras que nos afastam.

Para os mais assertivos, para aqueles que vêem a vida como sendo preto ou branco, esta é uma frase muito controversa. Eu aceito isso, mas a única coisa que posso partilhar convosco é que, para mim, a vida começou a ser mais simples quando comecei a acreditar nos cinzentos, em cores intermédias que podem ser interpretadas de forma diferente conforme os olhos.

Aceitar que as pessoas podem olhar para a mesma coisa e ver coisas diferentes fez-me sentir muito melhor comigo e com os outros, melhorou muito as minhas relações e tornou-me uma pessoa muito mais tranquila e resolvida. Eu agora aceito-me muito melhor quando penso diferente dos outros. E a maravilha é que também aceito os outros que pensam diferente.

Mariana Arga e Lima
Business and Executive Coach na Paulo de Vilhena Business Excelerators

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