A liderança é um caminho solitário? Conteúdos Paulo de Vilhena

Desde pequenina que ouvi que a liderança é um caminho solitário. Ser responsável por uma empresa implica não ter amigos. Implica que todos estão representar um papel e que temos que desconfiar de todos os que estão à nossa volta. Provavelmente por ouvir isto, sempre tive medo da liderança pois eu não sei trabalhar entre desconhecidos ou com pessoas com quem estou sempre de pé atrás.

Mas será que tem mesmo que ser assim?

Nos últimos anos tive empresas próprias e também liderei equipas numerosas nas empresas por onde passei. Não quer dizer que daí tenham saído os meus melhores amigos, mas em todas elas me senti bem. Senti-me acompanhada e senti-me rodeada por pessoas leais. É verdade que houve empresas em que senti mais lealdade do que noutras. Mas quando analisado de uma forma fria, consigo relacionar essas diferenças com a cultura vivida em cada uma dessas empresas.

Somos nós, enquanto líderes que controlamos a cultura da empresa, os princípios que são fundamentais e aqueles com os quais todos os colaboradores se devem alinhar. Quando fazemos o recrutamento e as avaliações semestrais deve ficar bem claro o que para nós é tolerável e aquilo que é absolutamente intolerável, aqueles que são os princípios fundamentais e inegociáveis da empresa. É no dia-a-dia que se cria a cultura da organização. É pelo nosso exemplo que as pessoas vão percebendo aquilo que é esperado do seu comportamento.

Nós passamos várias horas a trabalhar. Estamos pelo menos 8 horas por dia, senão mais, em frente às mesmas pessoas, a partilhar o mesmo espaço. Será possível não confiarmos nelas? Estarmos sempre desconfiados de que elas não estão a ser honestas? Que estão a procurar uma forma de tirar partido da empresa? Ou que estão a tentar enganar-nos?

Eu não conseguiria viver assim… À minha volta tenho que sentir franqueza, honestidade, empenho, dedicação, amor à camisola. Para mim não faz sentido de outra forma e, por isso, não é aceitável que os outros, com quem tenho de trabalhar, não o sintam da mesma maneira. Eu acredito profundamente que várias cabeças pensam melhor que uma e, por isso, é fundamental ter à nossa volta pessoas envolvidas, capazes de pensar connosco, de discordar das nossas opiniões, de apresentar alternativas. É nesta diversidade de opiniões que as empresas crescem e evoluem.

E como se consegue ter a equipa alinhada com estes princípios?

Não é fácil, eu sei!

Num passado recente sofri uma grande desilusão com uma pessoa da minha equipa. E recebi uma grande lição de vida. Quando pensava ter a equipa alinhada com os meus princípios de dedicação e amor à camisola, um dos elementos em que eu tinha mais confiança atirou com a toalha ao chão e deixou-me na mão quando lhe pedi mais um esforço. Agora, olhando friamente para o caso, percebo que cometi o grande erro de, ao sentir que o esforço não era nada de especial (e não era), não preparar bem o terreno. Mas não esqueci o tema pois sei que, se a equipa estivesse realmente envolvida, não tinha vacilado em me acompanhar. Lição aprendida!

É fundamental que a tornemos a cultura da empresa clara, que sejamos igualmente intolerantes a qualquer desvio e que, por outro lado, consigamos envolver todos os colaboradores de uma forma positiva e construtiva. Precisamos de ser, nós próprios, um exemplo da cultura da empresa e acreditar nos colaboradores que temos. Aqueles em que não acreditamos devem ser eliminados da estrutura o mais rápido possível.

Amor com amor se paga!

E quando nós damos esse amor aos nossos colaboradores, eles também retribuem. Eu pelo menos acredito nisso!

 

O que pensa sobre este assunto? Que tipo de relação mantém com os seus colaboradores? Deixe a sua opinião na caixa de comentários abaixo.

Mariana Arga e Lima

Business and Executive Coach na Paulo de Vilhena Business Excelerators

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