Ao longo dos tempos a liderança foi assumindo novos contornos. Aquilo que hoje é aceite pelas equipas já não é igual àquilo que acontecia no passado.

Até ao início deste século, na maioria das empresas portuguesas, o medo imperava. Os recursos humanos não eram assumidos como uma parte muito relevante do sucesso. As pessoas sentiam-se dependentes do emprego para sobreviver e, por isso, faziam tudo o que lhes mandavam fazer. Não questionavam e aceitavam como naturais os tratamentos menos humanos de muitos chefes.

No passado os chefes (porque não lhes consigo chamar líderes) mais conceituados eram mesmo os que berravam mais alto, os que davam mais ordens e os que tratavam pior os seus empregados.

Hoje, havendo uma maior rotatividade nos empregos e tendo sido minimizada a ideia de um emprego para a vida, as pessoas aprenderam a valorizar-se (às vezes até demais!). Embora ainda haja pontualmente abusos, já é assumido pela maior parte dos empregadores que as pessoas são um ativo muito relevante.

As pessoas que querem ter sucesso no mundo empresarial têm de perceber isto.

Há 12 comportamentos que comprometem a liderança:

1) Querer sempre acrescentar alguma coisa a uma conversa/discussão

É bom ter opiniões, é bom saber das coisas, mas deram-nos dois ouvidos e uma boca… é bom ouvir mais do que falamos para que, quando falamos, digamos apenas as coisas mais acertadas e assim conseguirmos ganhar credibilidade.

2) Assumir créditos que não se merece

Ainda há muitos chefes que não partilham as conquistas com a sua equipa, que se vangloriam por todos os feitos dos outros que trabalham para si como sendo seus, sem nunca referir quem realmente foi o responsável. E até há quem se vanglorie do sucesso dos projetos em que nem teve qualquer intervenção. Não fica bem e não é nada bem visto nas organizações.

3) Começar frases com “não” ou “mas”

Esta é uma postura claramente defensiva, de quem tem pouca vontade de ouvir a opinião dos outros. Poderemos acrescentar valor substituindo um “mas” por um “e”… Não anula a frase que acabámos de ouvir e poderá acrescentar valor, fazendo com que o nosso interlocutor se sinta mais ouvido.

4) Fazer comentários destrutivos

Hoje as empresas de sucesso vivem um ambiente descontraído e de grande frontalidade. O feedback constante e as avaliações mais formais fazem parte das melhores práticas. No entanto, é fundamental que as avaliações sejam feitas sempre com o objetivo mais construtivo, de levantar os problemas mas para encontrar as soluções. Já não estamos nos tempos dos processos disciplinares, pois eles destroem as relações entre os colaboradores e as empresas sem ajudar em nada a encontrar o melhor caminho.

5) Falar com negatividade

O conteúdo e a forma das nossas mensagens traduzem muito daquilo que somos, ou pelo menos, da imagem que transparecemos. É fundamental mantermo-nos sempre otimistas, falar dos outros e da vida com uma atitude positiva. Mesmo nas situações difíceis olhar para o copo meio cheio e não para o copo meio vazio.

6) Ter a necessidade de encontrar culpados para nos desculpabilizar

Quando o problema aparece, normalmente, a primeira atitude é sempre encontrar um culpado, mesmo quando a culpa é nossa. Para um bom líder, a primeira atitude deverá ser encontrar formas de resolver o problema e só depois averiguar o que se passou realmente, para que se encontre mecanismos de evitar o mesmo erro. Se o líder ou a sua equipa tiver alguma culpa direta ou indiretamente, este ponto deverá ser assumido sem qualquer vergonha. Só não erra quem não faz, o importante é aprender com os próprios erros para que não voltem a acontecer.

7) Não assumir a responsabilidade da decisão

Tomar decisões nem sempre é fácil, mas um líder tem de saber tomá-las de forma corajosa e com os riscos controlados. Um líder que não toma decisões fica descredibilizado na organização.

8) Ter a necessidade de ganhar sempre (e a qualquer custo)

Há quem pense que, numa discussão dar o braço a torcer, não mantendo a opinião até ao fim, é ficar diminuído em termos de imagem. Nos tempos modernos, cada vez mais, a gestão e as decisões são partilhadas pela organização e por isso se, depois de uma discussão construtiva, o líder concluir que, depois de ouvidos os argumentos da sua equipa, tem que mudar de rumo, é sinal de segurança e de confiança em si e na equipa. Admitir que estava errado é um sinal enorme de autoestima, e as equipas valorizam isso.

9) Não partilhar a informação completa com a equipa ou com os colegas (como forma de ganhar vantagem)

A informação é poder. Esta é uma frase muito ouvida nos corredores das empresas, mas que cada vez mais perde o sentido. Confirmo que a informação é realmente poder, mas só se for do conhecimento de todas as pessoas que possam beneficiar dela. A informação terá que ser o mais partilhada possível, tendo obviamente alguns cuidados com o sigilo empresarial. Mas internamente teremos de confiar nas pessoas com quem trabalhamos.

10) Não ouvir os outros

As pessoas no geral, quando estão numa conversa, estão sempre mais preocupadas com o que vão dizer a seguir do que propriamente a ouvir o que a outra pessoa tem para dizer. Parem e escutem ativamente. É mesmo fundamental fazer uma escuta ativa, sem julgamentos e sem preconceitos.

11) Não mostrar gratidão

Os líderes servem de exemplo e por isso é muito importante que transpareçam, no seu dia a dia, a gratidão. Gratidão com a empresa, gratidão com a equipa e gratidão com a vida em geral. O ambiente é contagiante e, por isso, um líder deve ser alguém que contagia sempre pela positiva, pelo bem-estar e pela felicidade.

12) Não reconhecer as capacidades dos outros

Há uma frase que um chefe me disse no passado e que nunca esquecerei: “corrige em privado e elogia em público”. Por mais que possa parecer exagerado, as pessoas gostam sempre de ser reconhecidas e, por isso, sempre que se justifique deverá fazê-lo sem qualquer pudor, mas tem de ser sincero e específico. Elogios como “parabéns, fizeram todos um bom trabalho” tem muito menos impacto do que se for para uma pessoa e para uma situação em concreto.

Mariana Arga e Lima
Business and Executive Coach na Paulo de Vilhena Business Excelerators

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